ENTREVISTA Polêmica no ar
A comédia da televisão brasileira não é mais a mesma depois de Emílio Surita e sua turma, do "Pânico na TV". O programa é alvo das piores críticas e dos maiores elogios, tanto da imprensa como do público
A comédia da televisão brasileira não é mais a mesma depois de Emílio Surita e sua turma, do "Pânico na TV". O programa é alvo das piores críticas e dos maiores elogios, tanto da imprensa como do público, que se divide entre telespectadores, aos domingos, na Rede TV, e ouvintes, de segunda a sexta-feira, na Jovem Pan. Eleito pela revista "VIP", o Homem do Ano 2005, na categoria televisão, Surita conversou com exclusividade com o "Buchicho" e falou sobre como tudo começou, o sucesso do programa, sua rotina de trabalho e a recusa ao título de celebridade.
OP - Você acredita que o "Pânico" é um programa de sucesso? Surita - É um programa diferente. Mexeu com muita coisa na televisão brasileira. Fazemos o humor que há muitos anos não é visto mais na TV. Colocamos nossos personagens na rua e eles são reais, vão lá na realidade dos outros e fazem "zoação" com isso. Mas também estamos sempre inventando coisas novas, que é para se manter.
OP - E a que você atribui esse grande sucesso? Surita - Houve uma aproximação com o público jovem. A nossa linguagem é jovem, até porque, além de mim, toda a equipe tem 20 e poucos anos e não teria como ser diferente. Fazemos molecagem num horário competitivo e chamamos atenção.
OP - Tem gente que não vê a menor graça no programa. Como que você enxerga isso? Surita - Existem pessoas que são conservadoras, que têm outra postura diante do humor. É como piada, tem gente que morre de rir e, de repente, você conta para outra pessoa que não acha a menor graça. Vai muito da percepção da pessoa.
OP - Como você avalia as agressões físicas que o Vesgo e o Silvio sofrem de alguns artistas? Surita - O Netinho, por exemplo, foi um infeliz. Coitado. Os repórteres não vão mudar em nada por causa disso. Vão continuar irreverentes. Ficamos todos surpresos pela agressão, mas faz parte do trabalho que o Vesgo faz. Todos sabemos que ele corre esses riscos.
OP - Você não acha que eles são muito invasivos quando abordam algum artista? Surita - A idéia é esta mesma e é nessa atitude que está a irreverência deles. Tem gente que gosta e os que não gostam.
OP - Foi sua a idéia de levar o "Pânico" para a televisão? Surita - O programa "Pânico" existe há 13 anos na rádio e teve uma época que o Tutinho, dono da rádio, decidiu colocar câmeras dentro do estúdio para transmitir o programa pela internet. Deu super certo. Aí, ele pensou em vender o programa para a televisão e a Rede TV comprou a idéia e estamos aí.
OP - Mas a idéia do programa é sua? Surita - Não. Todo mundo participa. A equipe é muito grande. O programa não é feito só por uma pessoa. Acontece que sou o mais velho do pessoal, tenho 44 anos, e posso passar a idéia de dono, por estar no "Pânico" na rádio antes da equipe que está hoje. Mas todo mundo trabalha igual.
OP - Na televisão, a idéia que se tem é de que você lidera a equipe... Surita - O que faço ali é o papel de distribuidor das coisas entre a equipe. Os repórteres Vesgo e Silvio são os que têm talento. São eles que estão na rua e fazem as pessoas rirem. Eu só controlo o tempo. Quando está demorando demais ou quando vai estourar o limite, fico regulando isso.
OP - Existe uma notícia circulando na internet de que o Pânico na TV viraria um programa diário em 2006. É verdade? Surita - Tomara que não. Nem fala um negócio desse, porque eu já trabalho tanto que não quero nem saber dessa história! A direção da Rede TV ainda não falou nada com a gente e espero que não venha falar.
O POVO - Você ficou surpreso com a nomeação de Homem do Ano da televisão pela revista "VIP"? Emílio Surita - Achei que não teve nada a ver, mas fiquei feliz. O problema é que essa votação não tem muita credibilidade, foi feita pela internet e nenhuma pesquisa séria é feita virtualmente. No final, quem votou foi a molecada que fica navegando e também gosta do "Pânico na TV". Eu não sou um cara de televisão.
OP - Você se considera um homem de quê? Surita - Sou um cara de rádio. Há 20 anos, faço programas em rádio com entrevistas e muito humor, levando sempre para o lado escrachado.
OP - E como foi encarar a televisão? Você se sente à vontade diante das câmeras? Surita - Me sinto super à vontade, porque a equipe é a mesma que está todo dia junta. Não tem aquela coisa de trabalhar com novas pessoas e ter novo tipo de trabalho. É a mesma coisa que fazemos na rádio.
OP - Você já se sente uma celebridade? Surita - Não sou celebridade nenhuma. A minha vida não mudou nada, continuo trabalhando muito. Chego às 10 da manhã na rádio e só saio às oito horas da noite. Trabalho de segunda a segunda. Quer dizer, a minha vida mudou, sim. Agora, com a televisão, trabalho muito mais.
OP - Mas agora você é reconhecido na rua, não é? Surita - Claro. Isso acontece. As pessoas pedem autógrafos, querem uma lembrança. O rádio não tem a glamourização que a televisão tem. No jornalismo também não existe isso, mas a televisão potencializa tudo. Se você aparece na TV, parece que faz sucesso.
Quem assiste ao Pânico na TV:
Sara Rodrigues, 12, estudante - "Assisto todo domingo. Acho 'massa'! É perfeito a parte que os repórteres ficam 'zoando' com as pessoas. Tem gente que tem até medo deles, mas eles não falam sério. Mas agora tem muita propaganda, que é chato."
Mateus Rodrigues, 8, estudante - "Acho engraçado. Adoro quando eles ficam 'zoando' os outros e sempre assito".
Simão Pedro, 16, estudante - "É humor puro. Não acho que o programa seja exagero; acho profissional e divertido".
Sávia Diógenes, 14, estudante - "À vezes, tem brincadeira de mal gosto. Falam mal das pessoas quando ela não é muito famosa e acho super chato."
Eduardo Gondim, 14, estudante - "Eles sabem fazer bagunça do jeito que a gente gosta. Mas, às vezes, eles 'pegam pesado e avacalham'."
Tamara Raíza, 14, estudante - "Às vezes, eles magoam a pessoa. Acho que eles não deveriam falar certas coisas que são verdades, mas a pessoa não gosta de ouvir. A Carolina Dieckman que está certa. Se ela não gosta, tem que proibir mesmo."
Fonte: www.jovempanfm.com.br/panico/blog
- Rabiscado by: ««öß®¡gäðö»» às 20h35
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